Corro serios riscos de aqui escrever o que os visados na historia podem ler, e portanto os promenores ficam para vos contar ai em PT com grandes risadas a mistura.
Posso desde ja revelar que fui ua pinga amores, nada intencional, muito inocentemente mas fui-me apercebendo disso... DE RIR!
Foi na entrega de diplomas que melhor me apercebi do gosto que foi para alguns alunos e alunas terem me conhecido, quanta honra! Ainda na entrega de diplomas comecaram a chover os elogios. Varias alunas quiseram tirar uma fotografia comiga para ficar de recordacao, um aluno timorense ofereceu-me um cachecol tipico e outros prometeram continuar comuniar comigo na internet!
Confesso que fiquei babadissima, ainda me ofereceram mais e mais lembrancas!
Na festa deu finalmente para trocarmos experiencias e opinioes sobre MOZ e PT e que a nossa geracao jovem pode fazer por estes paises. Prometi voltar, quando nao sei....
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Ultimos dias em casa
Bem ja parte do grupo esta por terras lusitanas! Chegaram terca de manha.
Desde 5a feira como vos disse que nao temos internet e a paz desde entao tambem comecou a falhar na casa PUMAP. O stress, cansaco, ansiedade e trabaho deixaram as tropas do PUMAP um pouco desnorteadas.
Como se nao bastasse os problemas com a casa alugada, os empregados com salarios por pagar, o chuveiro empenado, a sanita nao operacional, tudo parece que nos quis fazer correr daqueles lados de Maputo. A "dona" da casa apareceu la por casa quase todos os dias. Ora vinha reclamar ora vinha choramingar... Os empregados "tiraram" alguns moveis de casa da senhora para reclamar os salarios e nos que os aturamos! Tudo doido! Nos ultimos dois dias nem vieram. Eu odeio aquela mulher, ja nao a podia ver... Se ela aparecia eu saia com dois ou tres so para fugir as mil historias massadoras que ela contava e que depois de ela sair todos ficavam horas a relatar! Que cansativo, este topico da casa subalugada e a Paula "Mariscos A Maneira" e' historia para ficar sobre a nossa estadia- mas que coisa infeliz, como fizemos toda uma novela com isto!
E como se nao bastasse de problemas como ja vos tinha dito no inicio do post ficamos sem electricidade em casa. Em maputo a electricidade e pre paga pois para irmos recarregar teriamos que pagar um conta enorme de divida da dita Paula Mariscos... era o que mais faltava....
Bem a solucao encontrada para surpresa minha foi convidarmo-nos (a situacao era desesperante) para ficarmos a ultima noite (e so essa)na casa da nossa consul portuguesa, a Graca! No domingo pagou-nos uma mariscada, levou-nos as malas e alojou-nos em sua casa como se fossemos seus filhos. REcebeu-nos lindamente! A Graca e para todos nos um exemplo de mulher.... solteira, diplomata, castica, estilosa, jovem embora de meia idade e ainda por cima economista! Uma senhora! So foi assustador como tantos de nos se deixaram acomodar com a simpatia e se instalaram com a maior das naturalidades... enfim! Uma noite sem exemplo
ps. sejam criativos, este teclado e muito esquisito e nao tem acentos!
Desde 5a feira como vos disse que nao temos internet e a paz desde entao tambem comecou a falhar na casa PUMAP. O stress, cansaco, ansiedade e trabaho deixaram as tropas do PUMAP um pouco desnorteadas.
Como se nao bastasse os problemas com a casa alugada, os empregados com salarios por pagar, o chuveiro empenado, a sanita nao operacional, tudo parece que nos quis fazer correr daqueles lados de Maputo. A "dona" da casa apareceu la por casa quase todos os dias. Ora vinha reclamar ora vinha choramingar... Os empregados "tiraram" alguns moveis de casa da senhora para reclamar os salarios e nos que os aturamos! Tudo doido! Nos ultimos dois dias nem vieram. Eu odeio aquela mulher, ja nao a podia ver... Se ela aparecia eu saia com dois ou tres so para fugir as mil historias massadoras que ela contava e que depois de ela sair todos ficavam horas a relatar! Que cansativo, este topico da casa subalugada e a Paula "Mariscos A Maneira" e' historia para ficar sobre a nossa estadia- mas que coisa infeliz, como fizemos toda uma novela com isto!
E como se nao bastasse de problemas como ja vos tinha dito no inicio do post ficamos sem electricidade em casa. Em maputo a electricidade e pre paga pois para irmos recarregar teriamos que pagar um conta enorme de divida da dita Paula Mariscos... era o que mais faltava....
Bem a solucao encontrada para surpresa minha foi convidarmo-nos (a situacao era desesperante) para ficarmos a ultima noite (e so essa)na casa da nossa consul portuguesa, a Graca! No domingo pagou-nos uma mariscada, levou-nos as malas e alojou-nos em sua casa como se fossemos seus filhos. REcebeu-nos lindamente! A Graca e para todos nos um exemplo de mulher.... solteira, diplomata, castica, estilosa, jovem embora de meia idade e ainda por cima economista! Uma senhora! So foi assustador como tantos de nos se deixaram acomodar com a simpatia e se instalaram com a maior das naturalidades... enfim! Uma noite sem exemplo
ps. sejam criativos, este teclado e muito esquisito e nao tem acentos!
sábado, 29 de agosto de 2009
Tinha-me esquecido deste post!
Festa de despedida da escola primária
Hoje foi um dia de despedidas… começou no orfanato e acabou na escola primária.
No orfanato foi óbvia a tensão vivida pelas crianças. Não fomos recebidos com mil berros e abraços como é (ou melhor FOI) habitual sempre e saímos com lágrimas …
A hora da despedida custa sempre mais!
À tarde fomos para a festa da escola primária. Não sei se já vos tinha dito mas fiz parte do teatro. Fui a raposa no teatro o Principezinho (muito adaptado!). Correu lindamente foi mesmo engraçado! Ia com uma máscara de coelhinho e lá tentei falar devagar… não devem ter ouvido muito bem mas gostaram… Depois servimos-lhes um lanchezinho. Foi uma loucura, bolachas, sumo, bolo, batatas fritas. É caso para dizer que tiraram a barriga da miséria! Com tanta porcaria que comeram é caso é de dizer que ficarão mal-dispostos… Gostei muito de lá ter ido e de conhecer o espaço das nossas meninas! Trabalho árduo aquele que elas lá desempenharam! Entre enfrentar professoras que batiam nos meninos, que se aproveitavam da sua presença para faltar às aulas, e as crianças energéticas com vontade de aprender viveram ali dois meses complicados… Uma pessoa realmente só entende a realidades dos outros quando a sente na pele, não haviam descrições que valessem… hoje ganhei uma percepção e uma admiração por estas meninas batalhadoras (as nossas voluntárias: Ana, Joana, Maria) que dia após dia engoliram sapos das professoras, controlaram 50 crianças numa sala e ganharam um imenso respeito pelas crianças que foram acompanhando. Pelo que contam os progressos foram florindo quase que inesperadamente, e com simplicidade deram conta das suas vitórias.
As despedidas de actividades estão mesmo a terminar…
Ficam boas recordações, bons momentos, boas lembranças, bons amigos! Aos que já nos despedimos até sempre!
Hoje foi um dia de despedidas… começou no orfanato e acabou na escola primária.
No orfanato foi óbvia a tensão vivida pelas crianças. Não fomos recebidos com mil berros e abraços como é (ou melhor FOI) habitual sempre e saímos com lágrimas …
A hora da despedida custa sempre mais!
À tarde fomos para a festa da escola primária. Não sei se já vos tinha dito mas fiz parte do teatro. Fui a raposa no teatro o Principezinho (muito adaptado!). Correu lindamente foi mesmo engraçado! Ia com uma máscara de coelhinho e lá tentei falar devagar… não devem ter ouvido muito bem mas gostaram… Depois servimos-lhes um lanchezinho. Foi uma loucura, bolachas, sumo, bolo, batatas fritas. É caso para dizer que tiraram a barriga da miséria! Com tanta porcaria que comeram é caso é de dizer que ficarão mal-dispostos… Gostei muito de lá ter ido e de conhecer o espaço das nossas meninas! Trabalho árduo aquele que elas lá desempenharam! Entre enfrentar professoras que batiam nos meninos, que se aproveitavam da sua presença para faltar às aulas, e as crianças energéticas com vontade de aprender viveram ali dois meses complicados… Uma pessoa realmente só entende a realidades dos outros quando a sente na pele, não haviam descrições que valessem… hoje ganhei uma percepção e uma admiração por estas meninas batalhadoras (as nossas voluntárias: Ana, Joana, Maria) que dia após dia engoliram sapos das professoras, controlaram 50 crianças numa sala e ganharam um imenso respeito pelas crianças que foram acompanhando. Pelo que contam os progressos foram florindo quase que inesperadamente, e com simplicidade deram conta das suas vitórias.
As despedidas de actividades estão mesmo a terminar…
Ficam boas recordações, bons momentos, boas lembranças, bons amigos! Aos que já nos despedimos até sempre!
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Bazarconomia
Hoje durante a tarde assistimos a uma palestra do Prof. António Francisco, professor de Economia e investigador. Adorei, foi super interessante!
Ao contrário da economia teórica que tive a batalhar para ensinar, este Prof. trouxe muito mais. Ainda bem! Trouxe consigo uma bagagem imensa com os seus trabalhos de investigação sobre a economia moçambicana…
Economia ou bazarconomia?! Bazar + economia porque na realidade a economia informal é predominante. Moçambique não é apesar de no papel o dizer que é uma economia de mercado. De acordo com este professor menos de 5% da terra é privada ou detida por títulos… Por um pedaço de terra cá em Moçambique o que se adquire é título de uso e aproveitamento. Ora se assim é além da economia de subsistência há muito pouco, não havendo títulos de propriedade não há comércio, garantias, empréstimos, etc…Se não há isso então também não há actividade económica saudável…
Aliás dentro da bazarconomia de Moçambique ele falou-nos do multi-universo:
- O PIB nacional que é o top do iceberg (a única parte visível!), que efectivamente avalia a economia formal (por volta de 10% da economia Moz)
- Economia prosumer (auto-consumo), economia para consumo próprio (não contabilizado claro!)
- Economia canalha/ subterrânea/ rock economics de actividade ilícita.
- Economia informal …
Bem sem vos querer chatear muito com o resumo da palestra, tenho a dizer que foi super interessante tanto para os alunos e acima de tudo para nós! Ganhei outra percepção da realidade moçambicana, falámos abertamente sobre política e das reformas ou não reformas do Tio Guebas (PR Armando Guebuza)!
Não há dúvida que vimos para estes dois meses dar aulas sem saber nada de Moz e o nosso conteúdo acaba sendo muito limitado nesse campo, mas ainda bem que complementamos o Executive Training com esta sessão! (Já tínhamos feito outra sobre microcrédito há um mês)
Este professor que fez mestrado e doutoramento se não me engano em Sydney é sem dúvida um contacto a manter!
Ao contrário da economia teórica que tive a batalhar para ensinar, este Prof. trouxe muito mais. Ainda bem! Trouxe consigo uma bagagem imensa com os seus trabalhos de investigação sobre a economia moçambicana…
Economia ou bazarconomia?! Bazar + economia porque na realidade a economia informal é predominante. Moçambique não é apesar de no papel o dizer que é uma economia de mercado. De acordo com este professor menos de 5% da terra é privada ou detida por títulos… Por um pedaço de terra cá em Moçambique o que se adquire é título de uso e aproveitamento. Ora se assim é além da economia de subsistência há muito pouco, não havendo títulos de propriedade não há comércio, garantias, empréstimos, etc…Se não há isso então também não há actividade económica saudável…
Aliás dentro da bazarconomia de Moçambique ele falou-nos do multi-universo:
- O PIB nacional que é o top do iceberg (a única parte visível!), que efectivamente avalia a economia formal (por volta de 10% da economia Moz)
- Economia prosumer (auto-consumo), economia para consumo próprio (não contabilizado claro!)
- Economia canalha/ subterrânea/ rock economics de actividade ilícita.
- Economia informal …
Bem sem vos querer chatear muito com o resumo da palestra, tenho a dizer que foi super interessante tanto para os alunos e acima de tudo para nós! Ganhei outra percepção da realidade moçambicana, falámos abertamente sobre política e das reformas ou não reformas do Tio Guebas (PR Armando Guebuza)!
Não há dúvida que vimos para estes dois meses dar aulas sem saber nada de Moz e o nosso conteúdo acaba sendo muito limitado nesse campo, mas ainda bem que complementamos o Executive Training com esta sessão! (Já tínhamos feito outra sobre microcrédito há um mês)
Este professor que fez mestrado e doutoramento se não me engano em Sydney é sem dúvida um contacto a manter!
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